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“São contra a reeleição os que têm medo
do êxito do programa libertador liderado por Chávez”
GABRIEL MADRID*
O advogado venezuelano Gabriel Madrid, no texto,
cujos principais trechos publicamos abaixo, defende o direito do povo de
eleger o presidente quantas vezes achar conveniente e mostra que isto
ocorre inclusive em diversos países da chamada “democracia ocidental”, a
despeito deste fato ser negado pelos golpistas que atentam contra este
direito - como denuncia Madrid - movidos pelo “medo do êxito do programa
libertador liderado por Hugo Chávez”
Em uma recente entrevista transmitida pela emissora
venezuelana Globovision, Henri Ramos Allup, secretário-geral da
moribunda Ação Democrática, afirma que o propósito de Hugo Chávez de
propor a reforma constitucional com relação à reeleição indefinida, no
sentido de dar continuidade ao mandato, obedece ao seu esforço de
perpetuar-se no poder, “desvirtuando o principio de alternância,
elemento essencial das democracias modernas”.
Segundo Allup, este tipo de reeleição “só se dá em
países atrasados”, referindo-se aos países africanos Líbia e Zimbábue e
seus chefes de Estado, Khadafi e Mugabe , enquanto que, nas democracias
ocidentais da Europa e América do Norte, esta prática estaria excluída
de seus sistemas eleitorais. Tais afirmações se faziam ante o
beneplácito dos moderadores que acrescentavam sandices contra os países
africanos situados ao norte e ao sul do Saara e contra seus chefes de
Estado, Kadhafi e em especial contra Mugabe, que foi objeto de burla,
por parte desses painelistas por ocasião de sua visita de Estado à
Venezuela, estendendo-se em insultos de conteúdo racista quase como se
fossem êmulos dos súditos da Alemanha hitlerista.
Façamos um incursão pelos sistemas eleitorais das
democracias ocidentais tão queridas e admiradas pelo setor oposicionista
venezuelano:
A Alemanha, é regida por um sistema parlamentarista
clássico, cujo chefe de governo recebe a denominação de Chanceler e sua
eleição submetida a uma maioria parlamentaria, que escolhe entre as suas
fileiras ou nas de seus aliados, sendo eleito continua, livre e
indefinidamente. Elege-se também um Chefe de Estado (presidente), por
votação popular e sem restrições a quantas vezes possa ser eleito.
Na França, foi votada uma nova constituição sob a
orientação política de De Gaulle, durante o período conhecido como V
República, que transformou o antigo sistema parlamentarista, em um
sistema semipresidencial e parlamentarista, outorgando maiores poderes à
presidência. Tanto o Chefe de Estado (Presidente), quanto o Chefe de
Governo (Primeiro Ministro), podem ser reeleitos sempre e quando tenham
a vontade de submeter-se ao escrutínio dos eleitores franceses. O
restante dos acontecimentos na França, desde a reeleição de De Gaulle,
até o maio de 1968, quando conclui seu périplo político, é do
conhecimento de qualquer estudante, não se o é do eficiente
liquidacionista da Ação Democrática.
ITÁLIA, ALEMANHA E PORTUGAL
Itália, não diferente da Alemanha, é também regida
por um parlamento clássico, onde o Chefe de Governo e o Chefe de Estado
têm o direito de reeleger-se.
Portugal, o sistema semi-presidencial e
parlamentarista, data da época da Revolução dos Cravos, guerra colonial
travada por Portugal em Angola, Moçambique, Guiné-bissau e Cabo Verde,
que culminou na queda do regime de Salazar.
No caso dos EUA, os pais fundadores desta nação são
os primeiros a inaugurar um sistema presidencialista por excelência,
tanto que constituiu um paradigma internacional. Sua Constituição que se
orgulha de ser uma das mais antigas do planeta e cujo texto original
permanece intacto. Porém, é também a que mais sofreu emendas. Que na
prática constituem verdadeiras reformas constitucionais.
Em seu texto não foi proibida a eleição livre,
continua e indefinida, o que permitiu que Roosevelt, fosse eleito
presidente da nação em 1932 e reeleito, pela vontade de seus eleitores,
por três vezes consecutivas em 1963, 1940 e 1944.
Quanto ao Canadá nos encontramos em dificuldade para
definir sua forma de governo, se é monárquico ou republicano ou ainda um
Estado federal onde o Chefe de Estado é a sua ‘graciosa Majestade
Britânica’, mas não é uma república e tampouco um reino. Um domínio em
cujo território se exerce a maravilhosa democracia representativa, onde
predomina um regime parlamentarista clássico e tradicional, que elege
seu Primeiro Ministro de forma livre, continua e indefinida.
Voltemos à Europa, da qual já vimos uma mostra
significativa, em todos os países sem exceção a Chefatura do Estado
(Presidência) e Chefatura de Governo (Primeiro-Ministro e na Alemanha,
Chanceler), são exercidas por cidadãos eleitos no primeiro dos casos por
eleição popular e no segundo pelo parlamento cuja maioria designa quase
sempre um de seus membros para o cargo. Tanto o chefe de Estado como o
chefe de Governo são eleitos continuada e indefinidamente, e
ajustando-se às normas vigentes não precisam cumprir nenhuma outra
cláusula.
Essa é a verdade sobre a reeleição dos Chefes de
Estado e de Governo nas mais emblemáticas democracias ocidentais.
MÁ FÉ
Gostaria que o que foi dito no programa fosse produto
da ignorância, o que os absolveria, caso contrário é produto de má fé e
denota um desprezo pelas mulheres e homens desta terra, e um medo do
êxito do programa libertador que lidera Hugo Chávez, a quem teme
enfrentar no terreno da confrontação democrática, inventando atentados
contra uma suposta alternância, a qual esteve realmente ausente na
nefasta era puntofijista [o autor se refere ao período de 1958 a 1998 no
qual se alternavam no poder os dois partidos representantes de setores
da mesma oligarquia AD – Ação Democrática e Copei – Democracia Cristã].
*Madrid é advogado e professor de Integraçao
Internacional Econômica da Universidade Central da Venezuela

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