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O novo plano e o papel do Estado
É inadiável que o Estado volte a liderar a
implementação das medidas que visam remover os entraves ao
desenvolvimento
Artigo de Antonio Neto (*) publicado
no Jornal Diário do Comércio e Indústria (DCI), em 31 de janeiro de
2007.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um passo
importante no último dia 22 janeiro ao lançar o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), que prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até
2010 - incluindo recursos do governo federal, das empresas estatais e da
iniciativa privada -, com prioridade para os projetos de
infra-estrutura.
A solenidade de lançamento do PAC revelou a força das
medidas anunciadas para a retomada do crescimento econômico, a redução
das desigualdades sociais e a afirmação do Brasil como País soberano.
Vinte e cinco governadores, os presidentes da Câmara
e do Senado, todos os ministros de Estado, dezenas de senadores e
deputados federais, lideranças políticas, sindicais e empresariais de
todo o País compareceram ao evento.
O programa para acelerar o crescimento engloba um
conjunto de medidas destinadas a aumentar os investimentos e tirar os
entraves ao desenvolvimento econômico do País. Do Orçamento Geral da
União serão alocados para o programa R$ 67,8 bilhões. Das demais fontes
- estatais e iniciativa privada - serão R$ 436,1 bilhões, sendo R$ 144
bilhões só da Petrobras.
Em 2007, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
que detalhou o conjunto do programa, serão investidos R$ 24,4 bilhões do
orçamento da União - o equivalente a mais de 1% do Produto Interno Bruto
(PIB). O ministro disse que o setor de infra-estrutura receberá uma boa
parte dos investimentos.
O plano prevê, ainda, um crescimento mínimo de 5% do
PIB ao ano até 2010 - 4,5% este ano -, sendo dividido em cinco grandes
blocos de medidas e projetos. O primeiro é o de infra-estrutura,
incluindo também nele os projetos de habitação, saneamento e transportes
de massa. O segundo orienta o estímulo ao crédito e ao financiamento.
O terceiro bloco é composto por melhoria das leis
Ambientais e da legislação para abrir caminho para os investimentos.
O quarto é composto pela desoneração e incentivos à
produção e o quinto são as medidas fiscais de longo prazo.
O PAC incorpora, por outro lado, uma questão
fundamental. Embora busque estimular fortemente o aumento dos
investimentos do setor privado, ainda asfixiado com os juros reais mais
altos do mundo e com uma elevada carga tributária - duas das heranças
mais perniciosas do período tucano -, com o PAC, o Estado nacional volta
a ocupar o centro indutor do desenvolvimento da economia brasileira.
Historicamente, depois da Revolução de 30, a
economia brasileira, durante meio século, apresentou uma das melhores
taxas de crescimento do mundo ocidental, graças aos investimentos
públicos e ao papel do Estado na planificação e indução do
desenvolvimento. Foi na esteira dessa política que surgiram as grandes
empresas privadas nacionais. Agora, mais uma vez, depois de mais de 20
anos em que a economia brasileira, em razão das políticas neoliberais,
patina a taxas medíocres de crescimento, é necessário, inadiável e
fundamental que o Estado retome esse papel e lidere a implementação das
medidas que visam remover de vez os entraves ao desenvolvimento, com a
constante preocupação com a redução das desigualdades sociais e
regionais.
Ao priorizar cerca de cem obras estratégicas de
infra-estrutura, especialmente nas áreas de transporte, energia,
saneamento e habitação, em todo o País, o governo cria efetivamente
condições de retomar o crescimento, indicando, claramente, de onde
sairão os recursos para financiá-las: incremento do capital da Caixa
Econômica Federal, criação do Fundo de Investimento em Infra-estrutura
no valor de R$ 5 bilhões, formado com recursos do FGTS, além das medidas
de desoneração tributária, redução dos custos de produção e incentivo
aos setores estratégicos.
Quanto aos indicadores macroeconômicos, é importante
enfatizar que o governo aponta para a manutenção da queda da Taxa de
Juros de Longo Prazo (TJLP), reduzida de 9,75% em dezembro de 2005 para
6,5% em janeiro de 2007 e quer também a manutenção da queda da taxa
básica de juros da economia.
Além da queda dos juros, com a conseqüente redução
das despesas financeiras do setor público e privado, o governo pretende
também reduzir o superávit primário, que atualmente está na casa dos
4,25% do PIB. Serão abatidos do superávit primário os recursos para
investimentos classificados na sigla PPI.
O presidente Lula foi muito feliz ao concluir seu
pronunciamento durante a solenidade de instalação do PAC ao dizer que "o
Brasil tem que ser o palco de experimentação social profunda, e a
transformação social não é feita pelo condão mágico dos governos, mas
sim pela força criativa e mobilizadora da sociedade. Mais do que nunca é
tempo de sonhar e progredir, tempo de acelerar, tempo de crescer e tempo
de incluir".
Acrescentamos, ainda, que mais do que nunca é hora de
unir a nação brasileira nessa direção e provarmos para nós mesmos e para
o mundo que é possível nos tornarmos uma grande nação, justa e soberana.
(*) Presidente da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), do SINDPD-SP, membro do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Industrial (CNDI)

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